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Djamila Ribeiro é detonada nas redes por suposta transfobia

Filósofa e ativista, Djamila Ribeiro. Foto: Reprodução

A filósofa e ativista Djamila Ribeiro está sendo acusada de transfobia após publicar um artigo em sua coluna na Folha de S.Paulo. Internautas afirmam que a publicação intitulada “Nós, mulheres, não somos apenas ‘pessoas que menstruam’”, “é um amontoado de parágrafos sem sentido, que violam a lógica básica e termina por legitimar transfobia”.

No texto publicado na última quinta-feira (1), Djamila diz que é preciso ter cuidado para não apagar a palavra mulher, “mesmo com a pretensa ideia de querer incluir homens trans, termo apaga a realidade concreta das mulheres”.

A escritora diz que se sentiu “profundamente incomodada, tanto como mulher como teórica feminista” ao ver publicação e posts nas redes socias que utilizam a expressão ‘pessoas que menstruam’ para se referir a mulheres e homens trans.

“Como mulher, me perturba o fato de sermos restringidas às nossas funções biológicas, como se não fôssemos seres humanos completos, seres sociais e sujeitos políticos”, escreveu Djamila.

“Se essa realidade é apagada com a afirmação de que somos todas mulheres, negando as opressões de raça e classe, ou de que somos “pessoas que menstruam”, o grupo social mulher negra não se torna visível como sujeito de direitos”, diz a ativista em outro trecho.

Djamila ainda diz que “mesmo com a pretensa ideia de querer incluir, apaga a realidade concreta das mulheres, pois se está criando uma nova categoria universal que não nomeia a materialidade delas”.

“Essa realidade ficará implícita dentro dessa nova norma que se pretende hegemônica, assim como apaga a realidade de homens trans. Homens trans não são pessoas que gestam e menstruam, são sujeitos políticos”, continua Djamila.

Na web, enquanto uns concordavam com a visão da filósofa, outros demonstraram frustração e discordaram da atitude da ativista.

“Falar que esses termos restringem as mulheres as suas funções biológicas é simplesmente errado. As funções biológicas são utilizadas para delimitar um grupo mais amplo e, pasme, não idêntico ao grupo mulheres. A categoria mulher continua existindo e sendo usada quando útil”, escreveu um usuário no Twitter.

Em outro comentário, uma internauta diz que ao ler a publicação de Djamila, ela diz que “não nominalmente, pelo menos. Me veio Angela Davis na cabeça quando ela fala das intersecções entre gênero, raça e classe”.

https://twitter.com/sofiabhlisboa/status/1598631625046171648?s=20&t=hSW0C_DJXF27JuZp303sQQ

Confira alguns tuítes:

https://twitter.com/lume_ero/status/1598645800888078336?s=20&t=kiaz50oQ9s-vPyR8twlTFg

https://twitter.com/isc_who/status/1598796009710260226?s=20&t=kiaz50oQ9s-vPyR8twlTFg

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