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Do paraíso ao conflito: como a gentrificação redesenhou Jericoacoara

Jericoacoara. Foto: Divulgação

O avanço da gentrificação em Jericoacoara ganhou novos contornos entre 2025 e 2026, combinando disputas fundiárias e mudanças na gestão do parque nacional que aprofundaram a crise de identidade da vila. O ponto de inflexão foi a apresentação de escrituras pela viúva Iracema Correia São Tiago, que reivindica a posse de cerca de 80% das terras.

Em 2024, um acordo extrajudicial firmado pela Procuradoria-Geral do Estado do Ceará cedeu áreas avaliadas em centenas de milhões de reais à família, provocando protestos de moradores e empresários. A reação institucional veio do Ministério Público Federal, que recomendou a suspensão do acordo e de obras até que fossem assegurados os direitos da comunidade tradicional de pescadores.

Paralelamente, a partir de 2025, a concessão do Parque Nacional de Jericoacoara à iniciativa privada ampliou as tensões. Além da Taxa de Turismo Sustentável municipal, de R$ 41,50 por até dez dias, a concessionária tentou instituir uma cobrança adicional, barrada provisoriamente pela Justiça após mobilização local.