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Dona Ângela, a agente Cíntia do Riocentro, não quer saber de politica

Quem vê a foto dessa simpática senhora no Facebook não imagina que ela tenha sido apontada como uma das responsáveis pela operação terrorista que colocou em risco a vida de milhares de pessoas num show em 1981, Dia 1o. de Maio, no Rio Centro. Ela é Ângela Capobiango, que se apresenta em sua página como vendedora de produtos de beleza.

Ângela era administradora do Riocentro, na capital carioca, quando explodiram duas bombas, uma na caixa de força, outra no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, agente do Doi-Codi.

No livro “Aventura, Corrupção, Terrorismo — À Sombra da Impunidade”, o coronel Dickson Melges Grael diz que Ângela era conhecida na comunidade de informações como Agente Cíntia e foi responsável por bloquear os portões do Riocentro, na noite do show, em que se comemorava o Dia do Trabalhador, com a presença de cantores como Chico Buarque, Gonzaguinha e Zizi Possi.

Ângela já tem bisneto e, localizada, disse que episódio provocou mudanças irreversíveis na sua vida, como o fim do casamento e a perda de amigos.

Hoje se diz apolítica, e nega que soubesse da atentado com antecedência. “Só havia um portão trancado”, diz. “E eu tinha parentes lá dentro, assistindo ao show, o que prova que eu não sabia do que poderia acontecer”, diz.

O atentado do Riocentro, se consumado, poderia provocar correria e uma grande tragédia. O objetivo era gerar uma crise política para impedir a volta da democracia ao Brasil.

O acidente acabou precipitando a abertura e sepultando a ditadura militar, que alguns saudosistas, aproveitando a crise política, querem exumar.

Ângela se diz apolítica, e não declara se apoia Bolsonaro para presidente. “Eu não quero saber de política, era responsável pelo Riocentro porque tinha amizade com a mulher do prefeito (Júlio Coutinho”, acrescenta Ângela, cujo marido prestava serviços para a Aeronáutica.