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Dona da Magazine Luiza: “quase apanhei até das mulheres ao defender cotas em empresas”

O jornalista João Fellet, da BBC Brasil, entrevistou Luiza Trajano.

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BBC Brasil – A crise está superada?

Luiza Trajano – Acho que agora o mercado brasileiro não está mais misturando tanto economia e política. Você vê notícias bombásticas de presidente, mas o dólar não sobe tanto, a bolsa não cai tanto. Começou a separar. Países maduros fazem isso.

Sinto que o crescimento do PIB, a estabilidade da moeda, o trabalho feito no Ministério da Fazenda, nos deram fôlego. Você sente a luz no fim do túnel.

BBC Brasil – Esse cenário está consolidado mesmo com a perspectiva de uma mudança no governo após as eleições?

Luiza Trajano – Está mais consolidado. De repente pode ter uma bomba que atrapalhe. Mas a eleição não está mexendo tanto com o povo, parece que o povo não está muito preocupado com isso.

BBC Brasil – Alguns jornais noticiaram que a senhora era uma das signatárias do movimento Brasil 200, capitaneado pelo empresário Flávio Rocha, da Riachuelo (o movimento prega bandeiras liberais na economia e conservadoras nos costumes). Mas seu nome não consta no site do movimento. A senhora apoia o movimento?

Luiza Trajano – Gosto muito do Flávio, participei do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) com ele por muito tempo. Sei que ele tem uma política de liberdade, de mercado, e acho essa política muito boa. Mas, como sou do movimento Mulheres do Brasil, tenho de ser muito apartidária.

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BBC Brasil – Acha que a presidente Dilma Rousseff sofreu um impeachment ou um golpe?

Luiza Trajano – Prefiro não entrar nisso.

BBC Brasil – A senhora mantém a amizade, conversa com a ex-presidente Dilma?

Luiza Trajano – Não converso com ela, porque não a vejo. Ela me chamou para ser ministra, porque sou uma voluntária da causa da pequena e média empresa (o convite foi recusado). Sempre a achei uma pessoa bem honesta, bem direita, e sempre falei pra ela algumas coisas, porque ela me ouvia. Sou amiga da Dilma como sou do (Geraldo) Alckmin. Por ela ser mulher, talvez tivesse mais acesso.

BBC Brasil – Como a senhora se define politicamente? Está mais à direita ou à esquerda?

Luiza Trajano – Não sou nem esquerda nem direita. Transito muito no interior do Brasil. Sei o que não é ter água, sei como a Bolsa Família foi importante, assim como sei como o livre mercado é bom também.

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BBC Brasil – Sua defesa de cotas para mulheres e minorias em empresas enfrenta resistência entre colegas executivos?

Luiza Trajano – Acho que já houve mais resistência. Hoje a diversidade e o propósito de uma empresa são cobrados pelo próprio cliente. Acho que eles entendem mais isso hoje.

Quando comecei a falar em cotas, quase apanhei, até das próprias mulheres. O movimento Mulheres do Brasil levou ao Congresso um projeto de lei que institui cotas para mulheres em conselhos de administração de empresas públicas. Foi aprovado no Senado e agora vai passar pela Câmara.

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Luiza Trajano. Foto: Reprodução/YouTube