Dono da Voepass admite à PF omissão de panes em registros da empresa

O proprietário e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, admitiu à Polícia Federal que sabia de uma “cultura de omissão” no registro de falhas técnicas da companhia. O relatório final do inquérito afirma que diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) alertaram pessoalmente o empresário, ao longo dos anos, sobre pilotos que deixavam de formalizar panes nos diários de bordo para evitar que aviões permanecessem em solo.
A PF indiciou Felício Filho e outros 15 profissionais por atentado contra a segurança do transporte aéreo, agravado pela morte de 62 pessoas na queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024. A investigação apontou que a aeronave PS-VPB decolou com falhas conhecidas no sistema de degelo rumo a uma área com previsão de formação severa de gelo. Em depoimento em 4 de agosto de 2026, o empresário declarou: “A aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota.”
O voo levava 58 passageiros e quatro tripulantes, que morreram na queda. Após o desastre, a Anac suspendeu cautelarmente as operações da Voepass, em março de 2025, e cassou em junho daquele ano os certificados de operação e manutenção da empresa. Em nota, a companhia declarou que a segurança operacional sempre foi sua prioridade, disse ter cumprido protocolos de manutenção e treinamento e afirmou que colaborou com as autoridades durante a investigação.
