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Doria amplia programa de redução de horário nas escolas para crianças

Pais protestam contra redução do horário

Da Rede Brasil Atual

São Paulo – A gestão do prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB), está ampliando o corte no ensino integral denunciado pela RBA na semana passada. As Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emei) Antonio Raposo Tavares, Paulo VI e Rodolfo Trevisan, na Diretoria Regional de Educação (DRE) de Pirituba, estão comunicando os pais que no próximo ano não haverá mais período integral. As crianças de 4 e 5 anos serão divididas em dois turnos, das 7h às 13h ou das 13h às 19h.

A situação é a mesma das Emeis Antonio Figueiredo Amaral e Alceu Maynard, localizadas na DRE do Ipiranga. Já os Centros Municipais de Ensino Infantil (Cemei) Dom Gastão e Coração de Maria vão deixar de atender crianças no ensino infantil integral.

A Emei Rodolfo Trevisan atende hoje 145 crianças em período integral. A Antonio Raposo Tavares tem 322. E a Emei Paulo VI tem 224. A expectativa da gestão Doria é praticamente duplicar o número de crianças matriculadas nessas escolas. No caso das Emeis Antonio Figueiredo Amaral e Alceu Maynard, as unidades vão receber as 84 crianças que deixarão de ser atendidas na educação infantil do Cemei Dom Gastão. As crianças do Cemei Coração de Maria vão para a Emei Monteiro Lobato, que já funciona em período parcial.

A medida preocupa os pais que hoje têm as crianças atendidas em período integral e organizaram a rotina de trabalho e cuidados nessa condição. O zelador de condomínio João Lima de Souza, pai de um aluno do Cemei Dom Gastão, avalia que a prefeitura não deveria prejudicar crianças para conseguir vagas para outras. “Não é justo fazer isso. O correto é abrir mais vaga construindo creche. E não tirando o pouco atendimento integral que já tem”, criticou.

João destacou que hoje conta com o auxílio de seu empregador, que permite a saída no fim da tarde para pegar o filho de 4 anos no Dom Gastão, que fica bem perto do local onde trabalha. “Vai ficar muito difícil se o menino for para outra escola, mais longe e com só um período. Eu espero muito que o prefeito repense isso, vou torcer muito. Não sei como vai ser”, lamentou. Na sexta-feira passada, mães de alunos dessa unidade protestaram contra o encerramento do atendimento a crianças de 4 e 5 anos.

A diarista Lindalva Ribeiro, cuja filha de 5 anos estuda na Emei Antonio Figueiredo Amaral, está indignada. “É um absurdo fazer isso. Não se pode garantir a educação de alguns prejudicando o que os outros já têm. Eu já tenho de deixar minha filha com uma moça, porque entro às 7h no serviço e a escola só abre às 8h. Como vou fazer pra pegar ela no meio do dia?”, questionou. Pelo cuidado ela paga R$ 100 por mês. “Vou ter que pagar mais.”

Não é a primeira vez que a administração municipal sacrifica a educação de algumas crianças para garantir vagas de outras – e assim “cumprir” promessas de campanha. No início do ano, fechou salas de leitura, brinquedotecas e outros espaços em 33 escolas para abrir salas de aula. Ao mesmo tempo, o prefeito mantém congelada ou não executada a maior parte do orçamento municipal destinado à construção de CEIs, Emeis e unidades educacionais.

Dos R$ R$ 14,8 milhões reservados a novas Emeis, só R$ 1,3 milhão foi liquidado desde o início da gestão. E dos R$ 110,4 milhões para construção de creches, R$ 61,5 milhões estão congelados e só R$ 12,5 milhões foi liquidado.

Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, João Doria está preocupado apenas em apresentar números para a população. “Doria trata a educação como problema a ser resolvido como variável eleitoral, em números. Não vê a educação como política capaz de elevar o desenvolvimento da cidade”, afirmou. “A gestão Doria já reduziu espaços de atividades para aumentar vagas. Agora propõe reduzir o horário em nome de uma expansão (de vagas) completamente duvidosa, desvinculando o número de matrículas da qualidade da educação”, completou.

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