Apoie o DCM

Doria encerra ‘bolsa varrição’ criada por Haddad na cracolândia

Da Folha:

Desde a campanha eleitoral de 2016, o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) costuma usar um aposto para expressar sua opinião a respeito do programa anticrack de Fernando Haddad (PT): “Braços Abertos para a Morte”.

Um dos pilares do projeto será extinto a partir de 31 de março, quando 262 usuários de drogas vão deixar de receber a bolsa de R$ 500 por mês em troca de dias trabalhados em serviços como varrição de ruas, jardinagem e reciclagem. Além da bolsa, os usuários têm direito a moradia em hotéis mantidos pela prefeitura e alimentação.

A política de redução de danos (não exige abstinência dos usuários) e as vagas em hotéis (que estão sendo fechados aos poucos) são outras duas bases que ainda seguem do programa instituído em 2014 por Haddad para tratar dependentes químicos na região da cracolândia.

Alvo de críticas, a iniciativa de remunerar os usuários sem exigir abstinência também já foi atacada abertamente pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Após a ação policial que desmantelou a feira de drogas na cracolândia, em maio de 2017, ele disse que se “estava dando mesada para as pessoas comprarem droga”.

De acordo com a secretária municipal do Trabalho, Aline Cardoso, o fim da remuneração será precedida por uma nova política de trabalho no âmbito do Redenção, programa da gestão Doria para tratar de dependentes químicos em situação de rua.

“Não existia preocupação com a autonomia. Era um investimento sem resultados.”

O psiquiatra Dartiu Xavier, ex-coordenador do Braços Abertos, criticou as mudanças: “com esse modelo o problema não é resolvido. Tem que tratar também a exclusão social. É ridículo dizer que o programa continua”.