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Doria se recusa a explicar decreto que o beneficia com segurança pessoal

João Doria Jr. Foto: Divulgação/Facebook

Da Folha:

O prefeito João Doria (PSDB) se recusou a explicar os motivos que o levaram a publicar um decreto que estendeu para ex-prefeitos os serviços de segurança pessoal prestados pela Polícia Militar atualmente ao chefe do Executivo da cidade de São Paulo.

Doria deve deixar a prefeitura no início de abril para concorrer ao cargo de governador do estado. Agora, com o decreto assinado por ele, o tucano poderá desfrutar da proteção policial durante o período em que eventualmente estiver em campanha ao governo e, independentemente do resultado de uma possível eleição, ainda assim receberá os serviços da Polícia Militar.

Segundo o decreto, revelado pela Folha nesta segunda-feira (5), o ex-prefeito terá direito ao serviço pelo período de um ano a partir do momento em que deixar o cargo —por isso, Doria será o primeiro beneficiado.

Na tarde desta terça-feira (6), em evento oficial da prefeitura na zona leste da cidade, Doria se negou a responder às cinco perguntas feitas pela Folha sobre o decreto.

O evento era de inauguração de uma creche. Primeiro, ao ouvir os primeiros questionamentos, Doria disse que só responderia a perguntas sobre educação e que o decreto era uma questão a ser respondida pela Secretaria Municipal de Governo. A reportagem insistiu e ressaltou que o decreto é um tema que lhe diz respeito diretamente, e o prefeito apenas repetiu a primeira resposta.

Na sequência, a Folha perguntou a Doria o motivo de se restringir as respostas ao tema da educação, já que o prefeito costuma falar de temas gerais em suas entrevistas diárias. O prefeito repetiu: “Secretaria de Governo”. E acrescentou apenas que “hoje é como qualquer outro dia”.

A promessa de falar apenas sobre educação, porém, foi quebrada logo em seguida, quando respondeu a duas questões sobre eleições.

Logo após o evento, a reportagem ainda perguntou diretamente a Doria se o decreto seria revogado e se o dinheiro gasto com a segurança pessoal do futuro ex-prefeito não poderia ser investido em educação. O prefeito ignorou as questões.