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Doria usa jornalistas que viajam de jabá com ele como argumento para pedir doações na China

 

Doria já se acostumou com seus jornalistas amestrados cobrindo suas viagens.

O jabá está tão descarada que ele usa os amigos da imprensa como argumento de venda.

O relato está em matéria laudatória do Estadão de autoria de um “enviado especial”:

Em uma semana na China, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) não passou 24 horas sem receber doações de empresários para a cidade. Foram câmeras de segurança, drones, equipamentos para aulas digitais e, nesta quinta-feira, 27, painéis solares e carros elétricos.

São doações decididas ali, na hora, em reuniões com empresários interessados em ter São Paulo como potencial cliente. Doria aproveita o cargo de “prefeito da maior cidade do Brasil”, sua posição de presidenciável, exposição na imprensa e a experiência em negociação para arrancar um “sim” para seus pedidos. 

Nesta quinta, em Shenzhen, última cidade do seu roteiro, Doria esteve reunido com a maior empresa de baterias do mundo, a BYD, que atua do setor de celulares ao de ônibus elétricos. A previsão era de conhecer a fábrica da empresa. 

Funcionários disseram que já era esperado que ele fizesse algum pedido, e tinham disposição de doar um carro elétrico. Mas Doria chegou com outros planos. Pediu logo quatro. Ele prometeu usar os veículos para ajudar na segurança do maior parque da cidade. “O Ibirapuera vai ser um extraordinário show room para os veículos elétricos da BYD”, disse. A empresa fabrica ônibus elétricos em São Paulo. 

No caso da BYD, a conversa era com o CEO, Wang Chuan-fu, que já foi o homem mais rico da China – até passar a fazer doações de sua fortuna pessoal só para sair do ranking. É uma estrela chinesa, um dos primeiros a surfar na abertura comercial do País, reconhecido por ter enriquecido por seu próprio mérito e suas invenções. 

“Para que ele (Chuan-fu) tenha certeza disso (que a doação trará visibilidade à empresa)”, continuou Doria, “podemos começar hoje”, disse, ciente do efeito que uma pergunta feita de surpresa gera em qualquer um. “Temos 10 jornalistas, dos principais meios de comunicação do Brasil, que nos acompanham nessa viagem. Um anúncio feito aqui já será objeto de cobertura de televisões, jornais, revistas, rádios e sites automaticamente”, afirmou. Na realidade, são sete jornalistas e um repórter-cinematográfico acompanhando o prefeito na China. 

Acelera, São Paulo.