Dormir com luz acesa pode elevar risco de doenças cardíacas; entenda

Um estudo publicado no periódico JAMA Network Open associou a exposição à luz durante o sono a um risco maior de doenças cardiovasculares. Pesquisadores analisaram registros de quase 90 mil participantes, com cerca de 13 milhões de horas de dados de luminosidade, e compararam essas informações com diagnósticos coletados oito a dez anos depois.
Os participantes que dormiam em quartos mais iluminados apresentaram risco 30% a 50% maior em relação aos que dormiam em ambientes mais escuros. Entre as pessoas expostas à luminosidade mais intensa à noite, o estudo identificou chance 56% maior de insuficiência cardíaca, 47% maior de síndrome coronariana aguda e cerca de 30% maior de doença arterial coronariana, fibrilação atrial ou acidente vascular cerebral.
Os dados vieram do UK Biobank. Os participantes, com média de idade de 62 anos, usaram dispositivos de punho para medir a exposição à luz por uma semana na década de 2010. Os pesquisadores ajustaram os resultados para outros fatores de risco cardiovascular, como dieta, exercício, tabagismo e genética, e ainda encontraram uma relação proporcional: quanto mais claro o quarto, maior a probabilidade de doenças cardiovasculares.
Os autores apontam o ritmo circadiano como um possível caminho para explicar a associação, embora o estudo observacional não permita determinar causa direta. “Para algo como a exposição à luz no período noturno, não há desvantagem em manter o ambiente escuro, exceto pelo uso de uma luz suave para sair da cama com segurança”, afirmou o Dr. Frank Scheer, diretor do Programa de Cronobiologia Médica do Brigham and Women’s Hospital e coautor do estudo.
