Número de doulas cresce 70% em cinco anos e expõe nova demanda das mães brasileiras

A Lei nº 15.381, sancionada em abril de 2026, regulamenta o exercício da profissão de doula em todo o território nacional e define oficialmente seu papel no acompanhamento de gestantes, parturientes e puérperas. A medida ocorre em meio ao crescimento da atividade: segundo a Associação Nacional das Doulas, o número de profissionais certificadas no Brasil aumentou mais de 70% nos últimos cinco anos.
A legislação reconhece a doula como a profissional que oferece apoio físico, emocional e informacional durante o ciclo gravídico-puerperal, com foco no bem-estar da mulher e na evolução do parto e do pós-parto. A atuação também inclui auxiliar a comunicação entre a mulher e a equipe de saúde, garantindo que escolhas e necessidades sejam compreendidas durante o atendimento.
“O que as mulheres mais me dizem depois do parto é que não imaginavam que precisavam tanto de alguém do lado. Não alguém para fazer por elas, mas para estar com elas. A doula não substitui o médico, a enfermeira ou a família, ela preenche um espaço que ninguém mais estava ocupando: o da presença contínua e sem julgamento”, afirma a doula Mariana Sena.
A presença de doulas durante o trabalho de parto está associada à redução na taxa de cesarianas, menor uso de medicações e menos relatos de dor. Uma pesquisa brasileira da USP também indica que o suporte contínuo interfere na quantidade de serotonina liberada pela mulher imediatamente após o parto. No contexto da saúde pública, o tema se relaciona à mortalidade materna: no Brasil, a taxa é de 56,4 mortes a cada 100 mil nascidos vivos, e nove em cada dez poderiam ser evitadas com assistência adequada, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde.
