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Empresa dos EUA usou IA para mirar apostadores com maior chance de perder

Painel publicitário da DraftKings em prédio de Boston
Painel publicitário da DraftKings em prédio comercial de Boston, nos Estados Unidos. Foto: Reprodução

A DraftKings usou, em 2023, um modelo de inteligência artificial para identificar clientes com maior probabilidade de responder a promoções apostando e perdendo mais dinheiro, segundo relato de ex-funcionários e documentos internos obtidos pelo New York Times. O sistema analisava dados como frequência de jogo, saldo diário, perdas em relação ao valor apostado e a chance de o usuário deixar a plataforma.

O analista Jayden Butts testou a ferramenta com cerca de 5.000 jogadores em setembro de 2023. O modelo atribuía uma pontuação aos usuários conforme a perda esperada para cada incentivo; quem ficava abaixo da média recebia menos bônus, enquanto os demais seguiam como alvo das promoções. Butts afirmou que entendeu que a empresa queria redistribuir os incentivos para os maiores perdedores. “O melhor investimento seria um jogador com problema”, disse.

A empresa negou direcionamento impróprio e afirmou que suas promoções atendem clientes que mantêm uso contínuo da plataforma, e não são definidas pelas perdas. A DraftKings também disse monitorar comportamentos de risco e não enviar ofertas a apostadores identificados como problemáticos. Ex-funcionários, porém, relataram que a companhia abandonou projetos de tecnologia preditiva voltados a identificar clientes com possível dependência; a direção alegou falta de evidências suficientes para adotar o método.