Duvivier sobre Bolsonaro: “nunca ninguém fez merda em nome do Capeta”

Publicado em 23 abril, 2018 5:57 am

Da coluna de Gregório Duvivier na Folha de S.Paulo.

“Pelo menos Bolsonaro vai mudar alguma coisa. Você pode não gostar dele, mas tem que admitir que ele é diferente de tudo o que tá aí.”

Sabe o que também é diferente? Tatuagem no testículo. Martelada no mindinho. As camisetas do Faustão. Diferente não é necessariamente bom. 

(…)

Tudo o que o sujeito propõe é o que já tem sido praticado nos nossos 500 anos de história. “Você tá doente? Eu inventei um negócio: você corta seu antebraço e deixa sangrar.” Então, isso se chama sangria e faz 4.000 anos que não dá certo. “Queria propor uma coisa nova, que é queimar tudo o que é bruxa.”

Se tem uma coisa que o Brasil não precisa é de moral cristã e ordem militar. Tudo o que a gente teve até hoje é porrada e missa. E a gente é a prova viva do fracasso de ambos. 

Se você ouve o Bolsonaro falando, parece que quem governou o Brasil nos últimos anos foi o Zé Celso e o pessoal do Teatro Oficina. Parece que a gente vive uma ditadura do teatro contemporâneo, da maconha e do poliamor. Parece que o pessoal tá tatuando a cara do Paulo Freire, e não do Neymar.

Ninguém no Brasil nunca fez merda em nome do Capeta, da maconha ou da sacanagem. Toda vez que mataram, escravizaram e torturaram no Brasil foi em nome de Deus, da pátria e da família. 

(…)

Bolsonaro, pode ter certeza, vai fazer um governo bem parecido com o de Temer. Acho inclusive que deve ganhar. Tem tudo o que precisa pra ser presidente do Brasil: auxílio-moradia, funcionário fantasma e um bando de ideia velha na cabeça.

Duvivier
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