“É uma acusação estapafúrdia”, diz Leonardo Avritzer sobre ação da PF na UFMG

DO GGN:
A operação Esperança Equilibristra, deflagrada na manhã desta quarta (6) pela Polícia Federal contra a cúpula da Universidade Federal de Minas Gerais e da Fundep (Fundação do Desenvolvimento da Pesquisa), já acumula críticas por parte de professores e instituições ligadas à educação.
Cientista político e professor da UFMG, Leonardo Avritzer disse ao GGN que a “acusação é estapafúrdia” e que a universidade deve paralisar as atividades até que a denúncia seja “esclarecida” e as pessoas levadas coercitivamente para depor, liberadas.
“Não é muito clara a acusação, é uma acusação estapafúrdia, de que, na verdade, recursos de bolsas foram desviados e pesquisas não foram feitas. A UFMG está indignada e provavelmente vai declarar greve, pelo menos essa é a proposta, de paralisar as atividades até que fiquem claras as acusações e que as pessoas são liberadas,” disse.
Fora do País, Avritzer afirmou que está acompanhando o caso de perto e soube que, por volta das 5h desta quarta, a PF ocupou a reitoria, a Fundep e mais alguns prédios do campus da UFMG.
“Depois foram conduzidas coercitivamente 14 pessoas, e não é muito claro quem são essas pessoas. Sabemos de algumas. São 3 reitores, sendo dois ex-reitores e o atual reitor, e três vice-reitores, além do presidente da Fundep”, comentou.
Em coletiva de imprensa, agentes da PF responsáveis pela operação denotaram que a condução coercitiva, sem aviso prévio, tinha o objetivo de conseguir informações para construir a denúncia e obter alguma prova (veja mais abaixo).
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Em nota, o Confies (Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica) disse que a condução coercitiva foi uma ordem abusiva. “Em princípio, esses mandados são abusivos pois deveriam ser antecedidos por carta convocando-os para prestar esclarecimentos.”
