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Edital do Ministério da Economia é acusado de ‘práticas imorais de mercado’

Da Carta Capital

Paulo Guedes (Crédito: Sergio LIMA / AFP)

O banqueiro André Esteves foi estagiário de Paulo Guedes no BTG, banco do qual o ministro da Economia foi um dos fundadores. Preso em 2015 acusado de obstruir a Justiça, André foi inocentado por falta de provas em 2018 e em dezembro voltou ao grupo controlador do BTG, do qual tivera de sair quando da prisão. Voltou a tempo de estar na ala vip na festa da posse de Guedes no governo.

Esteves, o 12o brasileiro mais rico, fortuna estimada em 3 bilhões de dólares pela Forbes, tem feito grandes negócios no atual governo. O BTG assessorou, por exemplo, a empresa suíça que venceu o leilão, em março, de transferência do aeroporto de Vitória à gestão privada. O lucro do banco no segundo trimestre foi 56% maior que o de 2018, 972 milhões de reais.

Em 31 de julho, o BTG concluiu o treinamento de sete startups, empresas jovens com potencial de lucro rápido, nas quais apostará em 2019. Deve ter exultado três semanas depois, quando a equipe de Paulo Guedes botou na praça um edital, que deve ter o resultado divulgado nesta quarta-feira 11, para escolher quem ofereça aos servidores públicos descontos em produtos e serviços, um negócio do tipo “clube de vantagens”.

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Não surpreende o edital do Ministério da Economia, o chamamento público 03/2019, ter sido alvo de um pedido de impugnação em 3 de setembro. “Os termos expostos neste chamamento corroboram com práticas imorais de mercado e não protegem o servidor público”, diz o documento.

O pedido foi encaminhado ainda ao Ministério Público Federal (MPF), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria Geral da União (CGU). Partiu de uma empresa do ramo do clube de vantagens, a Markt, que já trabalha para algumas categorias de servidores – o serviço que o Ministério da Economia quer oferecer ao funcionalismo já existe.

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