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“Efeito Dubai”: a pressão que ameaça os moradores da Vila Mariana

“Não está à venda”, diz placa em casa da Vila Mariana. Foto: Camila Corsini/UOL

Moradores da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, afirmam viver sob intensa pressão de construtoras interessadas em comprar suas casas para erguer torres residenciais. O movimento “Chega de prédios”, criado nas redes sociais, espalhou placas com a frase “Esta casa não está à venda” pelas ruas Dona Inácia Uchôa, Dona Brígida e Bartolomeu de Gusmão.

A reação é uma tentativa de conter o que chamam de “efeito Dubai”, em referência à rápida verticalização da região. Os relatos apontam abordagens insistentes e até invasivas de corretores. “As incorporadoras enviavam vários representantes dizendo que os vizinhos já tinham assinado e que nós ficaríamos encurralados no meio dos prédios”, contou a professora Meico Fugita, moradora há 42 anos, ao UOL.

Outro vizinho, o biólogo Zysman Neiman, diz que cedeu à pressão após anos de insistência. “Ou a gente negociava ou ficava ilhado no meio desses edifícios”, relatou. A situação se agravou após a revisão do Plano Diretor de 2023, que transformou o zoneamento da área de “zona mista” para “Zona de Eixo de Estruturação da Transformação Urbana” (ZEU), permitindo construções mais altas próximas a estações de metrô.

A construtora Cyrela, responsável por empreendimentos na região, afirmou em nota que “desconhece qualquer conduta inadequada de terceiros” e que todos os projetos seguem a legislação vigente. Já a prefeitura informou que a revisão da lei de uso do solo segue as diretrizes do Plano Diretor, priorizando o adensamento em áreas próximas ao transporte público.