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“Efeito Milei” na Argentina faz SUVs sumirem do mercado brasileiro

Ford Everest. Foto: divulgação

A produção de veículos na Argentina enfrenta uma crise silenciosa que começa a afetar o mercado brasileiro. O Ford Everest é o exemplo mais recente: o SUV, que seria fabricado em General Pacheco para exportação ao Brasil, teve o projeto abandonado. Segundo Martín Galdeano, presidente da Ford na América do Sul, a carga tributária acumulada sobre a produção e exportação, que chega a 12% mesmo após incentivos, torna o modelo inviável.

O Volkswagen Taos ilustra um movimento já consolidado. O SUV deixou de ser exportado da Argentina e passou a vir do México, onde a estrutura tributária é mais neutra. Na linha 2026, o modelo chegou a ser ofertado no Brasil com redução de até R$ 22 mil em algumas versões, reposicionando o produto e realocando o volume de exportação que antes pertencia ao país vizinho.

Segundo o Uol, a decisão das montadoras acende um alerta no Brasil. A Anfavea alerta que, quando o custo estrutural interno de um país é alto e a importação é facilitada, as matrizes realocam a produção por critérios financeiros. O problema não está no comércio bilateral do Mercosul, mas no chamado “custo Argentina”, que encarece o carro ainda na saída da fábrica.