El Niño pode ser o mais forte desde 1950 e elevar risco de extremos

O El Niño em desenvolvimento no Oceano Pacífico pode se tornar o mais forte dos registros recentes, informou o Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido. O órgão projeta anomalias acima de 3°C na temperatura da superfície do mar em uma área-chave do Pacífico, patamar inédito desde o início da série histórica, em 1950. “Devemos deixar claro que este é um evento sem precedentes”, afirmou Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office.
O fenômeno ocorre quando os ventos alísios enfraquecem ou mudam de direção, permitindo que águas mais quentes avancem pelo Pacífico e liberem calor na atmosfera. As medições indicam temperaturas mais de 2°C acima da média na superfície do oceano e, em alguns pontos a 100 metros de profundidade, cerca de 8°C acima do normal. Para o Met Office, o aquecimento adicional torna muito provável que 2027 supere 2024 como o ano mais quente já registrado.
No Brasil, o El Niño tende a favorecer chuvas acima da média no Sul e reduzir as precipitações no Norte e no Nordeste, cenário que pode ampliar o risco de queimadas. Diogo Arsego, meteorologista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, estima que o fenômeno permaneça ativo até o início de 2027, com pico entre outubro e novembro. Em outras regiões, há risco de secas e incêndios na Austrália, além de inundações no Peru, no Equador e no sul dos Estados Unidos.
