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Eleições municipais confirmam rejeição a bolsonaristas no Brasil, diz jornal europeu

Do Público:

Evaristo Sá/AFP

(…) A primeira volta foi interpretada como uma derrota dos candidatos apoiados por Bolsonaro e em Fortaleza, capital do Ceará, esse é o assunto que dominou a campanha. Em desvantagem nas sondagens, o candidato Capitão Wagner tem tentado retirar o rótulo de “bolsonarista” a todo o custo, que considera responsável pela derrota iminente. Numa entrevista, Wagner agradeceu o apoio dado pelo Presidente, mas sublinhou não ter “padrinho político”.

A conotação entre Wagner e Bolsonaro reuniu uma coligação muito ampla de partidos aparentemente inconciliáveis, não fosse a oposição ao Presidente. O candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), José Sarto, chega à segunda volta com o apoio de partidos como o PT ou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e até o Partido Social Liberal (PSL), pelo qual Bolsonaro foi eleito, mas que abandonou.

A situação em Fortaleza reflecte a forte rejeição de Bolsonaro nas maiores cidades brasileiras, que o tornam num “apoio tóxico” a qualquer candidato que pretenda chegar a “prefeito”, diz Abranches. A campanha das municipais parece ter apenas agravado esse panorama. Um levantamento do jornal O Globo, a partir de inquéritos do Ibope, mostra que a aprovação do Presidente caiu em 23 das 26 capitais estaduais entre Outubro e Novembro.

O politólogo Sérgio Abranches acredita que a pandemia foi um elemento fundamental na orientação das escolhas dos brasileiros para os seus municípios. “Bloqueou a possibilidade de reeleição dos ‘prefeitos’ que se saíram mal e que acompanharam Bolsonaro na ideia de que a economia devia ter preferência sobre a pandemia”, afirma Abranches.

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