Elio Gaspari diz que documentário sobre Libelu leva a uma “doce viagem à alma dos jovens”

Publicado em 27 setembro, 2020 8:38 am
Elio Gapsari. Foto: Wikimedia Commons

Da Coluna de Elio Gaspari na Folha de S.Paulo.

Na quarta-feira estará no ar o documentário “Liberdade e Luta – Abaixo a Ditadura”, do cineasta Diógenes Muniz. Trata da “Libelu”, organização política de estudantes surgida em 1976 e extinta em 1985.

Os Libelus podem ter sido 800, mas fizeram um barulho danado. Iam para a rua gritando “abaixo a ditadura” (coisa que raramente acontecia desde 1968). Afastavam-se do MDB e da velha esquerda. Eram radicais com senso de humor, gostavam mais de rock do que de samba, de Caetano Veloso do que de Chico Buarque. O Serviço Nacional de Informações dizia que eram uma “dissenção” do Partido Comunista e da “linha trotsquista”. Os Libelus eram jovens, num tempo em que o filosofo francês André Glucksmann dizia que “Brejnev é Pinochet”. Um governava a União Soviética, o outro, o Chile.

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No documentário de Diógenes Muniz há uma doce viagem à alma dos jovens dos anos 1970, na voz de 20 sexagenários lembrando-se da aurora de suas vidas. Só eles falam, um de cada vez. Em todos os idiomas há o provérbio segundo o qual quem não é de esquerda aos 20 anos não tem coração, e quem continua de esquerda depois dos 50 não tem cérebro. Dos 20 Libelus entrevistados, cada um tomou seu caminho, e foram para todos os lados. Poucos ficaram mais ou menos no mesmo lugar. Aí está o valor dos depoimentos e do documentário.

As entrevistas com os Libelus foram gravadas no cenário da Universidade de São Paulo. Só “Pablo”, um militante que estudava medicina em Ribeirão Preto, falou na sala de sua casa. Isso não ocorreu por deferência ao ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, mas porque Antonio Palocci está em prisão domiciliar. Seu depoimento fecha o ciclo de um pedaço da amostra. Quando lhe foi perguntado se ainda se considerava um homem de esquerda, Palocci não vacilou: “Claro”.

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“LIBERDADE E LUTA” (NO FESTIVAL É TUDO VERDADE)

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