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Elio Gaspari: Temer deveria ir ralar numa fila de vacina da febre amarela

Da coluna do jornalista Elio Gaspari na Folha e no Globo.

Para mostrar aos brasileiros que estava bem de saúde, Michel Temer caminhou do Jaburu ao Alvorada, teatralmente escoltado pelos ministros Henrique Meirelles, Moreira Franco e Torquato Jardim. Bem que ele poderia mostrar aos brasileiros que está preocupado com a saúde de quem lhe paga os salários indo com a mesma turma para uma fila de vacina contra a febre amarela.

Poderia convidar os governadores Pezão e Alckmin, que gosta tanto de tomar café em padarias. Há filas onde se espera por 12 horas por uma senha para o dia seguinte. Pela cotação dos ambulantes de Mairiporã, o cafezinho de Alckmin sairia por R$ 2.

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O último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de São Paulo informa que de 40 casos de febre amarela ocorridos no Estado, 31 aconteceram fora das áreas de risco. Pela lógica de Brasília, se o doutor Nardi morasse em Mairiporã, não precisaria tomar vacina. Lá aconteceram 14 casos de contágio, e seis pessoas morreram. Não terem conseguido incluir a cidade no mapa foi excesso de sabe-se lá o quê.

Ao contrário do que aconteceu com a epidemia de zika, a febre amarela tem vacina e é uma velha freguesa dos epidemiologistas. A máquina da Fiocruz, a fabricação de vacinas e sua distribuição funcionaram direito. Faltaram repasses de verbas, planejamento, humildade e, sobretudo, a capacidade do governo de se comunicar. A marquetagem abastece a população com caminhadas presidenciais, viagens do ministro, parolagens e campanhas publicitárias caras e inúteis.

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Nenhum magano gosta de aparecer na telinha falando em problemas. Por isso, informações elementares sobre vacinação ficaram em plano secundário, e a expansão área de risco da febre amarela ficou numa dobra do tapete.

Presidente da República, Michel Temer durante passeio na manhã de domingo. Foto: Beto Barata/PR