Em 11 meses, Doria fez 43 viagens

Do G1
O prefeito de São Paulo, João Doria, está no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (1º) para dar uma palestra e se encontrar com políticos e empresários. Essa foi uma rotina frequente durante os onze meses à frente da Prefeitura de São Paulo. Desde o começo do ano, foram 43 viagens. Em 11 delas, Doria participou de eventos do Lide – grupo empresarial fundado pelo próprio prefeito.
As decolagens começaram em fevereiro. Foram 40 em dias úteis e 3 em finais de semana. João Doria esteve em cidades de todas as regiões do Brasil e foi também a outros países. Os meses mais agitados foram agosto e outubro, com nova viagens cada, praticamente uma a cada quatro dias.
O prefeito afirma que paga de seu bolso o custo das viagens e que se desloca em avião particular. Ele defende que há benefícios para a cidade e nega conflito de interesses.
A agenda do prefeito fora da capital costuma ter um padrão. No roteiro, quase sempre, ele é homenageado por políticos locais. Na quinta-feira (30), em São Luís, no Maranhão, recebeu a medalha Nagib Haickel – um reconhecimento da Assembleia Legislativa do estado a grandes nomes dos setores político e empresarial.
Doria já é cidadão soteropolitano, natalense, vilavelhense, campinense, paraense, belenense, osasquense, goiano, sergipano, rio-pretense, sorocabano, cidadão honorário de Seul (Coreia do Sul) e cidadão calçadista de Franca.
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Fora da capital o prefeito esteve em pelo menos 11 eventos apoiados ou organizados pelo Lide. Como na viagem para Foz do Iguaçu, em abril, e Salvador, quatro meses atrás.
O Lide é uma empresa do Grupo Doria. O grupo foi fundado e presidido por João Doria até o ano passado, quando passou o comando das empresas para seu filho. O Lide reúne empresários em diversos países e promove debates com personagens do mundo empresarial e político.
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PS: A participação de Doria em eventos organizados pelo Lide pode ser considerada fora dos padrões éticos e de legalidade contestável. Ao anunciar presença, Doria, como prefeito, alavanca esses encontros, que não são gratuitos e geram receita para o grupo privado, que passou a ser presidido pelo filho, João Doria Neto, depois que pai se elegeu prefeito.
