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Em palestra, ex-presidente da Andrade Gutierrez fala sobre os 7 meses que passou preso pela Lava Jato

Da Folha:

O empresário Otávio Marques de Azevedo sobe ao palco; a tornozeleira, escondida embaixo da calça social. Desde que foi preso pela Lava Jato, esta é a primeira vez que o ex-presidente da Andrade Gutierrez fala em público –agora, sobre a vida no cárcere.

“Foi o pior dia da minha vida”, lembra, sobre a prisão, em 2015. Aos 66 anos, o executivo, que foi presidente da Telebras, fala sobre o futebol na cadeia, as orações, a comida dividida e o “frio para danado” na prisão em Curitiba, onde passou sete meses.

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Azevedo emociona-se algumas vezes. “Você entra de um jeito e sai de outro; não melhor ou pior, mas diferente”. É a última pergunta da plateia que mais o abala: “Eu não vi, na sua fala, um arrependimento pelo que o senhor fez pelo Brasil. O senhor tem algum?”.

Parte dos ouvintes aplaude a pergunta. Ele respira fundo e responde: “Frases de efeito não compram arrependimento. Eu não tenho nenhum tipo de atitude bonita. Não vou chegar aqui, me ajoelhar e dizer: ‘Eu me arrependi’. São meus atos, é o que eu faço no dia a dia que pode dizer se tenho arrependimento ou não”.

Na palestra, o empresário afirma que “pagou, paga e está pagando” pelo que fez, e que exercia uma posição de liderança na Andrade Gutierrez “que tinha determinadas obrigações”. Ao final, provoca: “Essas palmas que você [ouvinte] recebeu, muitas vezes, vêm para mim em forma de vaia. Porque aparentemente o egresso tinha mesmo é que desaparecer.”

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Ele foi condenado por corrupção e lavagem em obras da usina nuclear de Angra 3.

O executivo ficará até o final do ano em regime semiaberto. Depois, passará dois anos em regime aberto, se apresentando à Justiça. Só então poderá ser considerado livre.