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Empregados com carteira assinada cai ao menor nível em cinco anos

Reportagem Lucas Vettorazzo e Flavia Lima escancaram os números do IBGE de novembro, que mostram os efeitos da crise econômica no governo Michel Temer. Há queda do desemprego, mas as mudanças na lei trabalhista deixam os empregados com carteira assinada desprotegidos.

O texto é do jornal Folha de S.Paulo.

O número de empregados com carteira assinada atingiu, em novembro, o menor nível dos últimos cinco anos, mostrou a Pnad Contínua, pesquisa nacional do IBGE, divulgada na sexta (29). Mantem a tendência dos últimos meses, o desemprego segue em queda devido ao aumento da geração de vagas informais, sem a proteção e os benefícios da lei trabalhista.

O contingente de trabalhadores com carteira atingiu 33,2 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro, o menor nível da série iniciada em 2012. Desde abril de 2015, quando a formalização começou a cair, cerca de 3 milhões de postos com carteira foram perdidos. É como se toda a população do Uruguai ficasse sem trabalho formal.

Em um ano, entre o trimestre encerrado neste novembro e o igual período de 2016, 857 mil pessoas perderam empregos com carteira. Especialistas dizem que em período de crise é comum o aumento da informalidade.

Pelos critérios do IBGE estão na informalidade o trabalhor sem carteira, quem atua por por conta própria (pequenos empreendedores sem empregados), e trabalhadores domésticos não são formalizados pelos patrões. É esse contingente que tem empurrado para baixo as taxas de desemprego. Muitos dos que perderam os empregos formais migraram para esses postos informais para manter a renda.

No trimestre encerrado em novembro, 11,2 milhões trabalhavam sem carteira. Ao todo, 411 mil passaram a essa condição entre os trimestres encerrados em agosto e novembro. No intervalo de um ano, o contingente sem carteira ganhou 718 mil pessoas.

Já o trabalho por conta própria ganhou 1,1 milhão de pessoas na comparação anual. Na passagem dos trimestres, 193 mil adotaram o modelo de trabalho, totalizando em novembro em 23 milhões nessa condição.

Um terceiro tipo de emprego que cresceu em razão da crise foi o trabalho doméstico, que atingiu o maior nível da série iniciada em 2012. Eram 6,3 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro. Entre agosto e novembro, 217 mil pessoas passaram ao trabalho doméstico. Em um ano, esse número foi de 250 mil novas pessoas.

Na última década, o trabalho doméstico havia recuado em razão da melhora da economia, alta da escolarização e da renda da população. Mulheres jovens passaram a buscar ocupações de maior remuneração nos serviços e no comércio. Segundo o IBGE, dois terços dos trabalhadores domésticos não têm carteira assinada e cerca de 60% das vagas são ocupadas por mulheres negras ou pardas.

(…)

Em razão da alta da informalidade, a taxa de desemprego recuou para 12% no trimestre encerrado em novembro. Houve queda de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre imediatamente anterior, terminado em agosto. Na comparação anual, contudo, o desemprego está 0,1 ponto percentual mais alto.

A queda do desemprego também teve reflexo das contratações de final de ano do comércio, que empregou 223 mil pessoas a mais em novembro em relação a agosto.