Empresário acusado de mandar matar jornalista vai a julgamento após 9 anos

O empresário Yorgen Fenech, de 44 anos, começou a ser julgado em Malta nesta quarta-feira (01) sob a acusação de ter ordenado o assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia. Herdeiro de um império imobiliário avaliado em centenas de milhões, ele responde por cumplicidade em homicídio voluntário e associação criminosa. Fenech nega todas as acusações.
Daphne morreu em 16 de outubro de 2017, aos 53 anos, após uma bomba instalada sob o banco do motorista explodir quando ela deixava sua casa, no vilarejo de Bidnija. Editora, colunista e blogueira, ela era uma das jornalistas mais conhecidas de Malta e investigava figuras do governo e do empresariado. A Procuradoria pediu prisão perpétua pela acusação de homicídio e pena de 20 a 30 anos pela acusação de associação criminosa.
Fenech é o último dos sete acusados no caso a ir a julgamento. Dos outros seis, cinco acabaram condenados e um recebeu perdão em troca de colaboração. A acusação afirma que os executores receberam € 150 mil para realizar o atentado; três homens acusados de plantar a bomba foram presos pouco depois do crime. Dois supostos fornecedores do explosivo receberam prisão perpétua em junho de 2025.
O caso provocou uma crise política em Malta. Uma investigação pública, exigida pela família da jornalista, concluiu que o Estado permitiu que uma “atmosfera de impunidade” se espalhasse a partir dos níveis mais altos do governo até órgãos reguladores e a polícia, criando um “clima favorável” para o assassinato. O então primeiro-ministro Joseph Muscat renunciou em dezembro de 2019, após o avanço das investigações.
