Empresário oferece obras de Inhotim para pagar dívida com governo de MG

Do Valor:
Obras de renomados artistas contemporâneos expostas no maior museu a céu aberto do Brasil, o Inhotim, poderão ser usadas para saldar uma dívida milionária que o empresário Bernardo Paz tem com o Estado de Minas Gerais. A oferta das obras foi feita por iniciativa do próprio empresário. O governo de Minas diz que não quer se desfazer dos trabalhos, mas mantê-los no próprio Inhotim.
Criador e figura central do museu, Paz tem uma dívida que se arrasta há anos com o Estado e que hoje está em cerca de R$ 500 milhões, segundo autoridades mineiras. Os débitos são parte de um passivo deixado por empresas do ramo de mineração e siderurgia que pertenciam ao empresário. A maioria delas já fechou as portas.
O advogado-geral do Estado, Onofre Batista, disse ao Valor que a lista de obras apresentada pela equipe de Paz ao governo inclui, entre outros trabalhos expostos em Inhotim, “Celacanto Provoca Maremoto”, um painel de 184 peças que parecem grandes azulejos portugueses e que é assinado por Adriana Varejão. Também dela, “Linda do Rosário”, uma escultura que faz referência ao desabamento de um hotel no Rio.
Na lista enviada ao governo constam também “Glove Trotter”, e “Inmensa” (conjunto de cadeiras e mesas de aço que chega a 8 metros de altura), ambas de Cildo Meireles. De Amílcar de Castro, “Gigante Dobrada” (1920-2002), uma escultura de ferro, também foi oferecida, segundo Batista.
As obras oferecidas ao Estado têm valor aproximado de US$ 190 milhões, segundo estimativas apresentadas pela equipe de Paz. É apenas uma parte do acervo. Todo o espaço é avaliado em US$ 1,5 bilhão, segundo o empresário.
“Ele ofereceu obras de arte e agora temos de iniciar nosso trabalho de avaliação”, disse Batista. Para isso, uma das ideias do governo é contratar, às expensas de Paz, uma instituição internacional, como a Tate Gallery, de Londres.
