“Enfiou a mão”: ex-estagiária acusa desembargador que inocentou réu por estupro de abuso

Uma ex-estagiária do desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), afirmou ao Fantástico que foi beijada à força por ele durante um almoço quando tinha 20 anos. “Ele veio e me deu um beijo na boca sem o meu consentimento. Me senti invadida, com nojo, constrangida”, disse a mulher, que pediu para não ser identificada. Primo do magistrado, Saulo Láuar também o acusa de abuso aos 14 anos, quando trabalhava como assistente pessoal. Segundo ele, em uma ocasião na casa do desembargador, o primo pegou sua mão e a levou ao próprio órgão genital. “Tirei a mão, ele tentou de novo e eu saí”, relatou.
Uma terceira vítima descreveu agressões dentro do gabinete do juiz em Betim (MG), em 2009, com toques forçados e tentativas de beijo. “Ele enfiou a mão. Me encostou na parede e tentou me beijar. Falei: se não me soltar, vou gritar”, afirmou. Nos últimos dias, cinco pessoas apresentaram denúncias antigas contra o desembargador ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por assédio e abuso sexual.
As acusações ganharam repercussão após uma decisão de Magid Láuar como relator em um processo de estupro de vulnerável. Em fevereiro, ele votou pela absolvição de um homem de 35 anos que mantinha relação sexual com uma adolescente de 12 anos. Após a reação ao caso, o desembargador reconsiderou a própria decisão e restabeleceu a condenação. O CNJ afastou Magid Láuar do cargo e a Polícia Federal cumpriu mandado de busca no gabinete dele. O magistrado não se manifestou.
