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Entenda por que o açafrão verdadeiro pode custar até R$ 70 mil o quilo

Açafrão ao lado de cúrcuma. Imagem: reprodução

O verdadeiro açafrão, obtido a partir dos estigmas secos da flor Crocus sativus, é considerado o tempero mais caro do mundo. Seu cultivo remonta há mais de 4 mil anos, com registros na Grécia, no Egito e na Pérsia. Além de ser usado na culinária, já foi ingrediente de banhos de Cleópatra e até de tratamentos de Alexandre, o Grande.

Diferente da cúrcuma (Curcuma longa), vendida no Brasil como “açafrão” e de preço acessível, a versão original exige um processo artesanal e trabalhoso. Cada flor tem apenas três estigmas, colhidos manualmente antes do nascer do sol, entre outubro e novembro. A flor morre em até 48 horas, o que torna a extração uma corrida contra o tempo. Após a colheita, os estigmas ainda passam por secagem e conservação cuidadosa.

A produção é limitada: são necessárias cerca de 75 mil flores para menos de meio quilo da especiaria. Por isso, um quilo pode chegar a R$ 70 mil, valor que varia conforme origem e pureza. Para comparação, o preço se aproxima do de metais preciosos, ainda que esteja abaixo do ouro, que custa cerca de R$ 630 mil o quilo.

Atualmente, a Espanha é a maior produtora e consumidora de açafrão, mas países como Irã, Itália, Grécia, Turquia e Índia também estão entre os principais fornecedores. No Brasil, onde a cúrcuma domina o mercado, o açafrão verdadeiro é raro, mas pode ser encontrado em lojas especializadas.