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Enterros em massa durante a pandemia pode ter contaminado o solo em Manaus; entenda

Valas comuns em meio à primeira onda de Covid-19. Foto: Divulgação

Seis anos após a crise da Covid-19, o Ministério Público do Amazonas aponta impactos ambientais ligados aos enterros em massa realizados em Manaus em 2020. No auge da pandemia, o cemitério Nossa Senhora de Aparecida, no bairro Tarumã, recebeu dezenas de sepultamentos simultâneos, cenário que marcou a cidade como epicentro da doença.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) afirma que os enterros realizados sem medidas sanitárias adequadas naquele período intensificaram ainda mais a contaminação do solo, causando prejuízos ambientais e riscos à saúde pública. Manaus chegou a ter mais de 100 enterros diários, enquanto a média era de 29 funerais por dia em 2019. Em 2021, esse número aumentou. A cidade teve mais de 300 mortes registradas por dia.

Segundo o MP-AM, o local opera sem licença ambiental do Ipaam, o que impede a análise de riscos ao solo e ao lençol freático. A Justiça do Amazonas determinou prazo de 30 dias para que a prefeitura comprove o pedido de regularização, sob multa diária de R$ 50 mil. O juiz destacou que “a operação de um cemitério sem o devido licenciamento ambiental representa um risco contínuo e progressivo ao meio ambiente e à saúde pública”.