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Escala 996: o modelo de “escravidão moderna” que ganha força nos EUA

Trabalhador exausto. Foto: Reprodução

A jornada de trabalho conhecida como “996” (das 9h às 21h, seis dias por semana) está sendo adotada por startups nos Estados Unidos, especialmente no setor de inteligência artificial. Originado na China, o modelo gerou intensa controvérsia por sua carga horária excessiva, foi chamado de “escravidão moderna” e banido pelo governo em 2021, após protestos e denúncias de mortes relacionadas à exaustão.

Empresas americanas vêm testando o esquema com o argumento de aumentar a competitividade global. No país, companhias como a Rilla, de inteligência artificial, já exigem que candidatos estejam dispostos a aderir à escala de 72 horas semanais. A companhia oferece refeições diárias como incentivo, mas afirma abertamente que só busca quem esteja “animado” com a rotina.

Segundo seu chefe de crescimento, Will Gao, a cultura da dedicação extrema inspira jovens da Geração Z que cresceram ouvindo histórias de figuras como Steve Jobs e Kobe Bryant. Nem todas as empresas aderiram diretamente ao modelo. A Fella & Deliah, de telessaúde, propôs a seus funcionários a nova escala em troca de aumento salarial e participação acionária, mas menos de 10% aceitaram.

Especialistas alertam que essa prática pode ferir leis trabalhistas americanas, especialmente na Califórnia, onde se concentram muitas dessas startups, mas o modelo continua ganhando força. Há receios crescentes sobre os impactos físicos e psicológicos dessa jornada prolongada, além de potenciais conflitos legais, em meio à corrida por inovação em inteligência artificial.