Polícia revela esquema de “escravização virtual” após morte de menina de 13 anos

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu que uma menina de 13 anos, morta em Naviraí, foi vítima de um processo de escravização virtual conduzido por uma organização criminosa. A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) descartou a hipótese inicial de suicídio e passou a tratar o caso como homicídio, após analisar materiais apreendidos na operação contra os investigados.
Segundo a investigação, criminosos identificavam perfis públicos de crianças e adolescentes, principalmente meninas, e usavam dados sobre escola, familiares e interesses pessoais para criar perfis falsos. Depois de conquistar a confiança das vítimas, levavam as conversas a plataformas com pouca moderação, onde aplicavam ameaças e manipulação psicológica. Os grupos dividiam tarefas entre integrantes que localizavam, abordavam e assumiam o controle das vítimas, forçadas a cumprir ordens como automutilação, maus-tratos a animais e suicídio.
O inquérito começou em 22 de julho, depois que a adolescente morreu durante uma transmissão ao vivo no Discord, que durou cerca de 45 minutos. Cinco adolescentes, entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos foram alvos de mandados na terça-feira (4), em cinco estados; o suspeito de liderar o grupo, de 14 anos, foi apreendido no Rio de Janeiro. A delegada Karine Sanches orientou pais e responsáveis a acompanhar aplicativos, conteúdos e atividades digitais dos filhos, inclusive com ferramentas de controle parental.
Disque 180
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