Escudo e bombas: como bactéria dos casos Crystal e Ypê consegue sobreviver

A bactéria Pseudomonas aeruginosa, identificada em produtos recolhidos das marcas Ypê e Crystal, possui mecanismos biológicos que aumentam sua capacidade de sobrevivência mesmo em ambientes considerados hostis. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a resistência do micro-organismo está ligada a três barreiras principais: uma membrana externa protetora, a formação de biofilmes e sistemas capazes de expulsar substâncias tóxicas do interior da célula.
A primeira é uma estrutura de membrana dupla característica das bactérias Gram-negativas. Essa camada adicional funciona como um “escudo químico”, dificultando a entrada de substâncias presentes em detergentes e outros produtos. A composição rica em lipídios reduz a ação de agentes que normalmente destruiriam bactérias mais vulneráveis.
A formação de biofilmes, estruturas gelatinosas compostas por açúcares, proteínas e DNA, cria uma espécie de “fortaleza” que protege as bactérias localizadas nas camadas internas contra produtos químicos, mudanças de temperatura e até mesmo células do sistema imunológico. Em ambientes hospitalares, essa característica pode dificultar o tratamento de infecções e aumentar a resistência aos antibióticos.
A bactéria também conta com bombas de efluxo, proteínas que identificam e expulsam substâncias tóxicas antes que atinjam níveis letais. Em pessoas saudáveis, o sistema imunológico costuma impedir a proliferação da Pseudomonas. Já em indivíduos imunossuprimidos, transplantados, pacientes em tratamento contra o câncer, bebês e idosos mais vulneráveis, ela pode causar infecções pulmonares, urinárias e de pele, além de quadros graves em ambientes hospitalares.
