No alto da UFJF, a estação que lê o clima de Juiz de Fora

No alto da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a 936 metros de altitude, a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registra diariamente os dados do clima da cidade. A unidade funciona há 53 anos no campus e integra a rede da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU considerada referência global em meteorologia e climatologia. Com informações de g1.
A estação opera em dois sistemas: o automático envia informações a cada hora ao 5º Distrito de Meteorologia, em Belo Horizonte, enquanto as medições convencionais dependem de observadores. Hoje, a professora Cássia Ferreira, coordenadora do Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental (LabCAA), e o servidor Yan Carlos Gomes Viana fazem as visitas diárias. “Estamos aqui todos os dias, às 9h, às 15h e às 21h. A estação funciona aos sábados, domingos, feriados, Natal e Ano-Novo. Como seguimos uma padronização internacional, os dados coletados aqui podem ser comparados aos de qualquer outro lugar do mundo integrado a essa rede.”
A localização longe do Centro segue normas técnicas para evitar interferências da urbanização. Os equipamentos ficam sobre gramado baixo, pintados de branco e afastados de árvores, prédios, concreto e asfalto. Cássia afirma que a estação não mede a sensação de uma rua específica, mas as condições meteorológicas regionais; em um período com equipamento na avenida Getúlio Vargas, por exemplo, a medição chegou a 47°C, valor influenciado pelo ambiente urbano.
Juiz de Fora tem observações meteorológicas desde 1890, e a estação oficial vinculada ao sistema nacional começou a operar em 1910, formando uma série histórica de mais de 125 anos. Antes de chegar à UFJF, em 11 de maio de 1972, a unidade passou pelo Largo do Riachuelo, pelo prédio dos Correios na rua Marechal Deodoro e pela Praça Agassis, no bairro Mariano Procópio. Cássia, que acompanha o trabalho desde 1988, diz que os registros já indicam mudanças no padrão local: “Percebemos uma curva mais acentuada de aumento da temperatura depois dos anos 2000. Também registramos um crescimento no número de dias com temperaturas acima de 30°C, algo que antes era menos comum.”
