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Sua maratona de TV pode afetar o cérebro: entenda o alerta de novo estudo

Controle remoto e televisão em ambiente doméstico
Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução

Passar muitas horas assistindo à televisão na meia-idade pode estar associado a alterações em regiões do cérebro afetadas precocemente pela doença de Alzheimer, aponta um estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia. A pesquisa acompanhou 1.712 adultos por aproximadamente 24 anos e indicou que diferentes formas de comportamento sedentário podem ter relações distintas com a saúde cerebral.

Os participantes tinham, em média, 53 anos quando responderam a perguntas sobre hábitos sedentários entre 1987 e 1989. Entre 2011 e 2013, eles fizeram exames de ressonância magnética. Pessoas que relataram assistir televisão com muita frequência apresentaram maior volume de hiperintensidades da substância branca, marcador ligado à doença de pequenos vasos cerebrais, além de menor volume em regiões frontal, occipital e em áreas consideradas características da doença de Alzheimer.

O estudo também avaliou o tempo sentado no trabalho e encontrou associações diferentes: menor volume de hiperintensidades da substância branca e maior volume em regiões frontal, occipital e parietal. Para os autores, isso sugere que o tipo de atividade feita enquanto a pessoa está sentada importa. “Durante anos nos concentramos em quanto tempo as pessoas passam sentadas. Nossos resultados sugerem que também devemos prestar atenção ao que elas fazem enquanto estão sentadas”, afirmou David Raichlen, professor da USC Dornsife e um dos autores principais.

As associações entre assistir TV com frequência e piores indicadores cerebrais permaneceram mesmo após ajustes para idade, sexo, escolaridade, hipertensão, diabetes, índice de massa corporal, atividade física, tabagismo e consumo de álcool. Os pesquisadores também observaram mais alterações entre homens. O trabalho, porém, não prova relação de causa e efeito: o consumo de televisão foi autorreferido, e os participantes não fizeram ressonância magnética no início do acompanhamento, o que impede medir diretamente mudanças cerebrais ao longo do tempo.