Estudo reconstrói últimos meses de jovens sacrificados pelo Império Inca

Uma pesquisa publicada na revista Science Advances reconstruiu os últimos meses de vida de três jovens indígenas sacrificados pelo Império Inca por volta de 1450, em montanhas do Chile. Tomografias, datação por carbono-14, análises da pele e da composição química dos cabelos indicaram que eles percorreram longas distâncias pelos Andes antes do ritual.
Os pesquisadores examinaram duas meninas, de 9 e 18 anos, encontradas em Cerro Esmeralda, no deserto do Atacama, e um menino de 8 anos achado em Cerro El Plomo, a 5.400 metros de altitude. As variações nos isótopos de carbono, nitrogênio, oxigênio e enxofre presentes nos cabelos apontam mudanças de alimentação e ambiente ao longo de vários meses.
A sola dos pés do chamado Menino de El Plomo era mais grossa que o normal, sinal de que ele caminhou descalço por longas distâncias. O garoto tinha ainda uma fratura no crânio, que pode ter sido causada pouco antes da morte por uma arma contundente. Para os autores, os rituais de Capacocha também podem ter ajudado a consolidar o domínio incaico no atual território chileno e argentino.
