EUA registram pior surto de sarampo em 35 anos com avanço antivacina

Os Estados Unidos registraram 2.318 casos confirmados de sarampo nos últimos sete meses, segundo dados divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nesta sexta-feira (24). O total supera os 2.289 casos de 2025, quando o país também contabilizou três mortes, e já representa o pior surto da doença em três décadas e meia.
O sarampo causa febre, problemas respiratórios e erupções cutâneas, além de poder levar a complicações graves, como pneumonia e inflamação cerebral. A doença havia sido erradicada nos EUA em 2000 graças à imunização, mas voltou a avançar nos últimos anos em meio à queda nas taxas de vacinação e à desconfiança em relação às autoridades sanitárias. “Estamos testemunhando uma crise evitável, que prejudica as crianças de maneira desproporcional”, disse Andrew Racine, presidente da Academia Americana de Pediatria.
O secretário de Saúde americano, Robert Kennedy Jr., é citado por suas declarações antivacinas em meio à crise. Embora a vacina contra o sarampo seja obrigatória no país, cidadãos de grande parte dos EUA conseguem contornar a exigência por motivos religiosos ou filosóficos. Uma pesquisa de 2025 do The Washington Post e da ONG KFF apontou que um em cada seis pais americanos evita ou adia a vacinação dos filhos por medo de efeitos colaterais, tendência mais comum entre comunidades brancas e conservadoras.
