Evento de Cazarré reuniu 600 homens, atacou feminismo e cobrou até R$ 5,7 mil por ingresso

Idealizado por Juliano Cazarré, o encontro “O Farol e a Forja” reuniu cerca de 600 homens em São Paulo para três dias de palestras sobre masculinidade, família, religião e valores conservadores. Realizado na Uni Ítalo, o evento teve ingressos de R$ 597 a R$ 5.747, em categorias chamadas Âncora, Forjador e Mestre. Segundo Cazarré, cerca de 90% dos participantes disseram ter ido porque as próprias mulheres compraram os ingressos ou pediram que eles comparecessem. O ator afirmou que a proposta é formar homens mais presentes em casa, mais parceiros das mulheres e menos violentos. Ao mesmo tempo, classificou o movimento red pill como “uma cagada” por estimular homens a não se casar e disse que pretende levar o projeto a outros estados.
A programação, no entanto, abriu espaço para discursos duros contra o feminismo e o progressismo. A influenciadora Bárbara Hannolere, conhecida como Babi Mendes, afirmou que o feminismo e a revolução sexual enfraqueceram a autoridade masculina e afastaram os pais da educação dos filhos. Ela também criticou o fato de a maior parte dos benefícios do Bolsa Família ser paga a mulheres, alegando que o Estado estaria substituindo o papel do homem como provedor. O evento teve ainda palestra de Rodrigo Minotauro, que apresentou o jiu-jítsu como instrumento de formação moral, além de falas de Gabriel Kanner, ligado ao Instituto Hipótese, e do empresário Wendell Carvalho, que associou enriquecimento à segurança da família e à caridade. No local também eram vendidos livros católicos e conservadores, inclusive obras críticas à chamada “cultura woke”, além de cursos religiosos.
Letícia Cazarré, mulher do ator, também participou do encontro com uma palestra sobre construção de um projeto de vida em casal e uma “hierarquia das obrigações” baseada em Deus, esposa, filhos e trabalho. Antes mesmo de acontecer, “O Farol e a Forja” foi acusado nas redes de promover machismo, o que Cazarré chamou de “ansiedade ideológica”. Encerrada a primeira edição, a equipe passou a estudar novas edições em outros estados, após pedidos vindos de Pernambuco, Paraíba, Goiás e Mato Grosso. Letícia também cogitou uma versão feminina do encontro, mas contou que, entre cerca de 600 pessoas, apenas três mulheres levantaram a mão quando ela perguntou quem teria interesse.
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