Ex-diretora de Doria tentou ocultar a falta de manutenção em poste que provocou morte, diz áudio
Da Folha.
Áudios obtidos pela Folha sugerem que a ex-diretora do departamento de iluminação da gestão João Doria (PSDB) tentou ocultar a falta de manutenção de um fio da prefeitura que pode ter causado a morte de um rapaz no Ipiranga, na zona sul, em 2017.
Em um dos trechos, Denise Abreu, então chefe do Ilume, indica que a versão do episódio a ser divulgada deveria ser uma farsa.
O chapeiro Júlio Lima Santos, 21, morreu em novembro após encostar em um poste semafórico na esquina das ruas Silva Bueno e Lima e Silva em uma noite chuvosa.
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O poste, segundo testemunhas, estava eletrificado por um fio de energia solto. A versão é confirmada nos áudios.
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Procurada, a Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as autoridades policiais a quem compete esclarecer as causas da morte.
“Como se foi deixando um negócio que tem mais de 30 anos sem manutenção? É óbvio que esse fio vai desencapar”, diz Denise, no áudio, que registra uma reunião entre ela e dois assessores para decidir o conteúdo da nota que o órgão enviaria à imprensa para explicar o acidente.
“Não vou colocar que a placa [que estava acoplada ao poste] foi instalada antes ou depois [do fio], cara. Essa referência é que fode com a gente. ‘A placa foi instalada depois’, ok? Como é que você sabe que foi depois? Aí você vai dizer ‘porque faz 30 anos que eu não uso esse fio’. Aí eu te digo: ‘Se faz 30 anos e é obsoleto, por que você não fez a troca? Como você deixou um fio da sua casa correr risco de ficar nas intempéries durante 30 anos e não toma providências?”, afirma.
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A conversa foi gravada pela então secretária de Denise, Cristina Chaud Carvalho.
A ex-diretora foi demitida por Doria na última quarta-feira (21), após a divulgação de outras gravações, também feitas por Chaud, que indicam uma suposta fraude na PPP de iluminação pública de São Paulo, na qual ela mostraria sua preferência pela FM Rodrigues, vencedora do contrato bilionário da cidade.
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