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Ex-professora de Marielle: [ela] é símbolo do potencial que existe na favela

Da coluna de Eliane Trindade na Folha de S.Paulo.

Tão simbólica quanto a execução e morte de Marielle Franco é a história do seu nascimento como militante e o processo de empoderamento como mulher negra, favelada e mãe adolescente. 

Condenada a um outro destino por ter nascido na Maré, o maior complexo de favelas do Rio de Janeiro, Marielle contrariou estatísticas e, dona de sua história, tornou-se uma das vereadoras mais votadas da capital fluminense nas últimas eleições.

Uma trajetória que começou a ser trilhada no pré-vestibular comunitário da Redes de Desenvolvimento da Maré, ONG fundada por Eliana Sousa, integrante e motor do “bonde de intelectuais” nascidos e criados na favela. 

Formada em letras pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com mestrado em educação e doutorado em serviço social, Eliana foi professora de Marielle no pré-vestibular, uma das ações estruturantes que lidera na favela para transformar a realidade de jovens que lutam cotidianamente contra a violência, a desigualdade, o preconceito e a indiferença. 

A vereadora do PSOL era um dos 1.300 moradores da Maré que chegaram à universidade após passar pelo cursinho que aposta na inteligência local para mudar indicadores. 

Apenas 0,5% dos habitantes da Maré tinham curso superior quando Eliana e outros universitários locais decidiram investir tempo e saber para melhorar a formação de vestibulandos da comunidade, todos oriundos de escolas públicas. 

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Eliana Sousa: A trajetória dela até ser eleita vereadora sintetiza muito o trabalho que nós fazemos na Maré. 

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Eliana: Ela é a demonstração desse potencial que existe na favela. É um símbolo de até aonde as pessoas podem chegar quando há possibilidade de elas sonharem e de se engajarem, quando há investimento. 

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Marielle Franco na Câmara dos Vereadores do Rio (Foto: Renan Olaz/Câmara do Rio)