Ex-zagueiro relata vício em bets: “perdi meu sonho por causa do jogo”

O ex-zagueiro Ítalo Augusto Souza Araújo, de 25 anos, decidiu relatar como o vício em apostas afetou sua carreira, sua família e sua saúde mental. Conhecido como “Animal” nos gramados, o belo-horizontino passou por clubes como Cruzeiro, América, Goiás, Paraná, Vila Nova e Capital, mas afirma que o transtorno do jogo, também chamado de ludopatia, o levou a perder cerca de R$ 100 mil, piorar o desempenho em campo e abandonar o futebol. “Hoje eu posso dizer que perdi meu sonho por causa do jogo. Aliás, por causa do jogo, não. Por causa da ganância”, disse.
Ítalo conta que começou a apostar aos 21 anos, durante a pandemia, com valores pequenos e por diversão. Com o avanço da dependência, passou a acompanhar apostas durante treinos e jogos, chegou a simular lesão para olhar o celular e deixou o negócio de calçados que mantinha ser consumido pelas dívidas. Ele também relata que pegou dinheiro da própria família, recorreu a agiotas e viveu um momento de ideação suicida após perder R$ 5 mil ao acordar. “Eu aprendi a roubar dentro da minha própria casa, eu roubei meus pais”, afirmou.
A recuperação começou quando a mãe o levou a uma reunião dos Jogadores Anônimos, em Belo Horizonte. Hoje, Ítalo diz que está há nove meses sem apostar, toma medicamentos, bloqueou o CPF em casas de apostas pelo Gov.br, evita acompanhar futebol para reduzir gatilhos e entrega o celular à mãe quando se sente vulnerável. Ele trabalha na área de comunicação de uma autarquia, participa com os pais de um projeto social com crianças e adolescentes e afirma ter recusado R$ 5 mil para divulgar uma casa de apostas. Quem enfrenta dependência em jogos pode procurar atendimento pelo SUS, em UBSs e Caps, grupos como Jogadores Anônimos e, em caso de sofrimento intenso ou pensamentos de morte, o CVV, que atende 24 horas.
