Expansão evangélica faz festa de Cosme e Damião se adaptar

A festa de São Cosme e Damião, marcada pela distribuição de saquinhos de doces, tem passado por transformações nos últimos anos. Entre os fatores que explicam as mudanças estão o aumento da inflação, que encareceu as guloseimas, a violência urbana que desestimula a entrega nas ruas, além da pressão de igrejas evangélicas que rejeitam a tradição.
Mesmo assim, a prática segue viva em diversas comunidades, sobretudo nas periferias, onde permanece como memória afetiva de gerações. Em paralelo, algumas igrejas evangélicas passaram a organizar suas próprias festas infantis na mesma época, em uma espécie de concorrência com os terreiros.
Segundo a Folha de S.Paulo, parte dos evangélicos acreditam que os doces carregam um significado religioso contrário à sua fé. A rejeição, contudo, também é encontrada em setores católicos conservadores, que veem a tradição como “pagã”.
Já para os terreiros de umbanda, como o dirigido pelo pai de santo David Dias, na zona sul de São Paulo, a data continua central. Ele relata que já viu “saquinhos de Jesus” distribuídos por grupos evangélicos em setembro como alternativa à prática original.
