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Brasil vive explosão de graduações em IA; veja quanto ganham depois do diploma

Heloisy Rodrigues, formada em inteligência artificial pela UFG
Heloisy Rodrigues, formada em inteligência artificial pela Universidade Federal de Goiás. Foto: Reprodução

O Brasil registra uma expansão acelerada dos cursos superiores de inteligência artificial (IA), impulsionada pela demanda por profissionais e pela perspectiva de salários elevados. Segundo levantamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o país já conta com 76 bacharelados na área, sendo 44% oferecidos por instituições públicas. A remuneração também chama atenção: profissionais em início de carreira podem receber entre R$ 5 mil e R$ 9 mil mensais, enquanto especialistas experientes podem ultrapassar R$ 25 mil, dependendo da função e da empresa.

A Universidade Federal de Goiás (UFG), pioneira na oferta da graduação em 2019, tornou-se um exemplo dessa procura. O curso alcançou 846,72 pontos na ampla concorrência do Sisu 2026, superando medicina. Heloisy Rodrigues, primeira mulher formada em inteligência artificial no ensino superior público brasileiro, concluiu a graduação em 2023. Segundo ela, colegas de sua turma recebem entre R$ 7 mil e R$ 12 mil, e oportunidades internacionais podem oferecer remunerações ainda maiores. “Na matrícula, até os professores perguntavam se tínhamos certeza. Éramos realmente cobaias, mas todo mundo olhou para a força da tecnologia no mercado e decidiu ver o que o curso tinha a nos oferecer”, contou.

Apesar dos salários atrativos, a formação exige conhecimentos que vão muito além do uso de ferramentas como o ChatGPT. Os estudantes enfrentam disciplinas de cálculo, álgebra linear, estatística, programação, engenharia de dados, redes neurais e ética. Para o cientista Silvio Meira, o ensino deve priorizar fundamentos teóricos, evitando que os futuros profissionais dependam exclusivamente de tecnologias que podem se tornar obsoletas. No mercado, os ganhos variam conforme a experiência, a especialização e o domínio de habilidades técnicas, sem garantia de remuneração elevada imediatamente após a formatura.