Aprender idiomas pode ser um “antienvelhecimento” para o cérebro; entenda

Falar um segundo idioma pode retardar o envelhecimento do cérebro, indica um estudo divulgado no Fórum da Federação Europeia das Sociedades de Neurociência nesta segunda-feira (06). A pesquisa analisou 728 pessoas da região basca da Espanha que falavam de um a quatro idiomas, entre eles espanhol, basco, francês e inglês.
Os pesquisadores criaram um “relógio do envelhecimento cerebral” a partir de exames de magnetoencefalografia, técnica que mede campos magnéticos gerados pela atividade elétrica do cérebro, e usaram inteligência artificial para calcular padrões de conectividade cerebral por idade. Na comparação entre idade real e idade cerebral estimada, pessoas que falavam duas línguas tinham cérebros cerca de seis anos mais jovens que monolíngues; entre quem falava três idiomas, a diferença chegou a sete anos; e, entre falantes de quatro línguas, a 13 anos.
“O efeito não estava relacionado apenas ao número de línguas faladas. Maior proficiência linguística e aquisição precoce de uma segunda língua também estiveram associadas a um envelhecimento cerebral mais tardio. Isso sugere que a experiência multilíngue importa como um gradiente: não se trata apenas de ser bilíngue ou não, mas da profundidade e duração da experiência linguística”, afirmou a pesquisadora Lucia Amoruso. O estudo considerou idade, sexo e escolaridade, mas os cientistas alertam que fatores como estilo de vida e engajamento social também podem influenciar a saúde cerebral.
