Falso padre condenado por estelionato volta a aplicar golpes

Um homem que se apresentava como monsenhor em famílias tradicionais de São Paulo voltou a ser acusado de enganar fiéis mesmo após condenações por estelionato. Durante anos, ele participou de ritos religiosos, ganhou confiança e recebeu doações sob o argumento de manter um abrigo infantil. A artista plástica Elisa Stecca contou à Folha de S.Paulo que contribuiu financeiramente, incluindo uma transferência de R$ 5.200, além de doações recorrentes.
A suspeita surgiu quando ela pediu para visitar o suposto orfanato e teve o acesso negado. Questionado sobre documentos e endereço da instituição, o homem alegou ter deixado a direção por motivos de saúde. A família passou a investigar e encontrou registros antigos envolvendo Marcos Rodrigues Fontana, já acusado de cobrar por missas e abordagens em cemitérios.
Confrontado, ele admitiu que o abrigo não existia e disse integrar a Igreja Vétero Católica, movimento independente não reconhecido pelo Vaticano. A Arquidiocese de São Paulo informou que ele não é padre da Igreja Católica Apostólica Romana nem possui autorização para atuar. Representantes da própria Igreja Vétero Católica também afirmaram não conhecê-lo.
O caso foi denunciado à polícia e está sob investigação no 36º Distrito Policial. O histórico mostra a reincidência: em 2009, ele foi condenado por estelionato após realizar celebrações ilegais, com pena convertida em serviços comunitários e multa. As vítimas reuniram comprovantes e pedem providências para evitar novos golpes envolvendo a fé.
