Falta de reconhecimento no trabalho pode levar ao adoecimento, aponta estudo

A falta de reconhecimento profissional pode contribuir para o adoecimento mental de trabalhadores, segundo tese de doutorado do pesquisador Ricardo Bertoni Pompeu, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp. O estudo reuniu relatos de 18 assalariados, com idades entre 20 e 40 anos, que atuaram em diferentes setores e relataram assédio, metas inalcançáveis, sobrecarga, falta de recursos e estagnação profissional.
Para o pesquisador, as empresas costumam avaliar o resultado final, mas ignoram o chamado trabalho real: os esforços cognitivo, físico, afetivo, emocional e psíquico envolvidos na realização de uma tarefa. “As pessoas são mensuradas nas organizações pelo trabalho prescrito, pelo resultado, mas não por esse esforço. E esse trabalho invisível adoece as pessoas”, afirma.
A pesquisa também identificou duas formas de sofrimento ligadas à organização do trabalho: a contingencialidade, quando a empresa exige disponibilidade imediata sem considerar a vida do empregado, e a disjuntividade, marcada pelo apagamento de sua trajetória profissional. Desde 26 de maio de 2026, empresas brasileiras precisam identificar e gerenciar riscos psicossociais, como jornadas excessivas, cobranças desproporcionais e assédio, no Programa de Gerenciamento de Riscos.
