Fantasia de índio e de outros grupos viram polêmica após campanha de site
Texto de Flávia Junqueira e Luã Marinatto no jornal Extra.
Índio não pode. Cigano também não. Enfermeira sensual? Nem pensar. Iemanjá, de jeito nenhum. Nega maluca, árabe e homem vestido de mulher também estão na lista de fantasias que devem ser banidas pelos foliões, de acordo com um vídeo postado pelo site “Catraca Livre”, que estabelece “as sete fantasias que não devem ser usadas no carnaval” por serem preconceituosas ou machistas. O politicamente correto disputa espaço com a irreverência dos blocos, e os debates esquentaram. A artista indígena Katú Mirim deu início, também na web, à campanha #ÍndioNãoéÉFantasia, em que defende que o uso desses trajes é, sim, um ato ofensivo.
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A posição da artista, entretanto, não é consenso entre as lideranças indígenas. Para Afonso Apurinã, presidente da Associação Centro de Referência da Cultura dos Povos Indígenas Aldeia Maracanã, “é importante preservar a liberdade de expressão”.
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Mio Vacite, presidente-fundador da União Cigana do Brasil, tem visão semelhante sobre as fantasias que remetem ao grupo étnico originário da Romênia, vistas como “motivo de orgulho”:
— É preciso ter cuidado. Por exemplo: havia um programa humorístico que colocava um cigano como trambiqueiro, naquele estereótipo clássico. Reclamamos, e retiraram o personagem. Essa questão da fantasia, porém, não me incomoda. Ao contrário: podemos tomar como uma homenagem, e acho que pode até ajudar a diminuir o preconceito. Desde que, claro, não seja feito desse modo pejorativo.
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Já a editora de Cidadania do “Catraca Livre”, Paula Lago, vê com bons olhos que esse tipo de discussão aconteça em meio ao carnaval:
— É o melhor caminho para você debater o tema do indígena, e até pensar se quer mudar de opinião ou não.

