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Secretaria da Fazenda de Tarcísio enfrenta rombo de R$ 3,8 bilhões em esquema de créditos falsos de ICMS

Sede da Sefaz-SP – Foto: Divulgação

A Operação Distrato apura um golpe de quase R$ 4 bilhões contra os cofres paulistas a partir da venda de créditos falsos de ICMS a empresas. A investigação atinge a Secretaria da Fazenda de São Paulo, no governo Tarcísio de Freitas, e já levou auditores a lavrarem 746 multas, com valores reivindicados pelo Fisco acima de R$ 3,8 bilhões.

Segundo a investigação, escritórios de advocacia ofereciam créditos tributários sem lastro para que empresas deixassem de recolher integralmente o imposto. Em troca, cobravam honorários que podiam chegar a 70% do valor. A engrenagem envolvia procurações digitais, documentos forjados e uso de dados de empresas como Volkswagen, Nestlé, Sony, Toyota e Hershey’s. O principal escritório citado é o NWADV, de Nelson Wilians; auditores também identificaram a atuação do De Paula Advogados e Consultoria Jurídica, de Mayra Fahur De Paula.

O UOL teve acesso a um contrato de consultoria de julho de 2024 que previa honorários de 60% sobre créditos de ICMS: 21% para Wilians, como “intermediador”, e 39% para De Paula, como “gestora”. O NWADV negou “qualquer prática ilícita” e afirmou que a relação com De Paula se limitou a uma parceria pontual. O escritório De Paula repudiou a tentativa de criar uma “narrativa ilícita” sobre práticas administrativas. A Sefaz-SP declarou que os casos seguem em processo administrativo sob sigilo fiscal, enquanto o Ministério Público analisa o material apreendido na operação.

Quadro encontrado durante busca e apreensão num dos endereços relacionados a De Paula – Imagem: Reprodução