O remédio para Parkinson aprovado nos EUA que promete horas de mobilidade

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou nesta segunda-feira (28) o tavapadon, comprimido para tratar adultos com doença de Parkinson. A farmacêutica AbbVie venderá o medicamento com o nome Juvmo, para uso uma vez ao dia, sozinho ou combinado à levodopa. A previsão é que ele chegue às farmácias americanas em outubro; no Brasil, não há previsão de registro na Anvisa.
O tavapadon atua nos receptores D1 e D5 de dopamina, ligados ao início dos movimentos. Os remédios mais usados hoje, como pramipexol e rotigotina, agem principalmente nos receptores D2 e D3, associados também a sono, recompensa e efeitos como sonolência, alucinações e compulsões. Para o neurologista Vitor Tumas, da USP de Ribeirão Preto, estudos em humanos mostram que a ação sobre esse outro grupo de receptores alcança efeito motor comparável ao dos tratamentos atuais.
Em estudo de fase 3 com 507 pessoas que usavam levodopa, pacientes tratados durante 26 semanas ganharam, em média, 1,7 hora diária de boa mobilidade, ante 0,6 hora no grupo placebo. O resultado não supera o ganho de outros medicamentos já combinados à levodopa, e ainda não houve comparação direta entre eles. O tratamento também causou enjoo, movimentos involuntários e tontura; 17% dos participantes abandonaram o uso por reações adversas, e a queda de pressão ao se levantar exige acompanhamento, sobretudo entre idosos.
