Apoie o DCM

Ferramentas que “humanizam” textos de IA falham em teste com redação do Enem

IAs mais populares nos celulares. Foto: Divulgação

Ferramentas que prometem “humanizar” textos produzidos por inteligência artificial não conseguem eliminar totalmente os traços deixados pela tecnologia em redações escolares e acadêmicas. Em teste com uma redação no modelo do Enem, um detector identificou o texto original como integralmente feito por IA; após a passagem por dois humanizadores, a indicação caiu para cerca de 80%, mas os sinais permaneceram.

Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovações da Arco Educação, afirma que a alteração não muda a base do conteúdo. “A redução percentual indicada não corresponde ao desaparecimento das características do texto original. Entretanto, a opinião argumentativa permaneceu praticamente intacta, assim como a sequência das ideias, os exemplos e a proposta de intervenção”, diz.

Professores apontam que os textos ainda costumam apresentar períodos curtos, generalizações, excesso de informalidade, parágrafos padronizados e poucos exemplos ligados ao cotidiano. Para eles, deixar a IA escrever ou reescrever a redação prejudica o desenvolvimento de repertório, pensamento crítico e estilo próprio; a tecnologia pode ajudar na revisão, na análise de critérios e na busca por referências, mas não deve substituir a autoria do estudante.