FHC diz que não será candidato e que conversa com Lula “depois que ele resolver os problemas dele”
De FHC em entrevista ao Estadão:
Não param de surgir informações de que o sr. poderia voltar à Presidência, no meio desta grave crise, por meio até de eleição indireta no ano que vem. Qual a sua posição diante dessa possibilidade de voltar à Presidência?
Minha posição é a seguinte: transformar a pinguela em ponte, aumentando a confiança e apoiando as medidas que o governo tomar e que sejam acertadas. E por quê? Porque qualquer pessoa que seja indicada pelo Congresso, que força terá para fazer as coisas que tem de ser feitas?
O sr. não volta então?
Não.
Mas um mudança pode levar ao Planalto alguém que tenha mais respaldo…
Seria um sintoma de que as coisas se desorganizaram tanto que será só mais dificuldade. Eu não torço por mais dificuldade, eu torço e atuo no sentido de fortalecer a passagem, reitero o que estava dizendo. O que temos de positivo para achar que tem caminho? Temos uma boa base agrícola e mineral, somos competitivos nisso, temos algumas dificuldades na área industrial, porque não estamos nos fluxos internacionais de produção, uma carência enorme de infraestrutura. E temos um peso enorme de “custo Brasil”, que é a burocracia, os impostos etc. Mas o governo tomou medidas na área de infraestrutura. O que falta? Aponte pra ter investimentos? É a confiança. Agora, eu não vou colaborar pra dividir a confiança. Qualquer especulação sobre o desastre, e que, eventualmente, eu possa ser presidente, só vai atrapalhar. Vai diminuir a confiança. E eu não sou dessa posição. Ouvi outro dia que o presidente Lula disse que eu estou trabalhando para ser presidente… É porque ele não me conhece.
